Carrinhos
Autorama, brinquedos Genius, videogames Atari e Telejogo, bonecos
Falcon, bonecas Moranguinho e robôs feitos de lata são alguns dos
muitos objetos que estão espalhados pela galeria Itapetininga, na
região central de São Paulo. O local é referência para quem gosta de
colecionar brinquedos. Ali, comerciantes expõem, em pequenas lojas ou
mesmo em vitrines, peças impossíveis de se encontrar em grandes lojas
do gênero atualmente.
Celso Lopes, 52, colecionava desde os 13 anos e, por excesso de objetos
acumulados e por ter tempo livre após se aposentar, passou a se dedicar
ao comércio de
brinquedos
antigos, febre entre "crianças de 25, 30 anos". Há 4 anos, ele vende
os objetos que hoje estão reunidos em uma das lojas da galeria no centro
da cidade.
Entusiasmado,
mostra os brinquedos e revela curiosidades. Sobre os robôs de lata
feitos no Japão na década de 1960, detalha: "Se você abre o brinquedo,
vê na parte interior logotipos. Sabe por quê? As latas usadas para
esses robôs são latas de óleo! Eles as aproveitavam. Não havia dinheiro
na época para usar material de primeira mão".
A clientela de
Celso é a mesma de toda a galeria Itapetininga. "São pessoas que
tiveram os brinquedos e os perderam ou que nunca tiveram condição de
ter", explica Paulo Rodrigues da Costa, 48, cuja especialidade na
galeria é trabalhar com bonecos. "Cada vitrine tem um tema", justifica
ele, que trabalha com brinquedos antigos há 8 anos e diz ser apenas um
"comerciante", não colecionador.
Já Celso afirma ter algumas
coleções -- a de carrinhos Autorama é uma delas --, assim como o também
lojista da galeria Mathias Pires, 37, que coleciona objetos da série de
TV "Os Trapalhões", ou o vitrinista João Pinheiro, 42, que está sempre
atrás de álbuns de figurinhas de futebol. Unir trabalho e prazer é,
nessa área, bastante comum e há comerciantes que mantém outro emprego,
usando a venda de brinquedos antigos mais como um hobby. Mas as
coleções, eles deixam bem claro que não vendem. "Essas estão lá em
casa", diz Pires.
Só a caixa, por favorCom
clientela fixa, os vendedores de brinquedos antigos atestam
curiosidades sobre a paixão pelos objetos. "Tem gente que quer o
brinquedo sujo. Tem gente que compra só a caixa", conta Fábio Eduardo
Fernandes, 37, dono da loja virtual PlayToy, ao explicar que um
brinquedo dentro de uma caixa pode valer até o dobro do que o fora
desta.
O lojista, um dos muitos que usa a Web para fazer esse
comércio -- "já fiz feira e pensei em vender no centro da cidade, mas é
muito cansativo" --, revela comprar os objetos que vende de três tipos
de pessoas: as que ganhavam dois brinquedos iguais na infância, as que
eram filhas de donos de fábricas e aquelas cujos pais não deixavam que
brincassem com os objetos, por isso eles se conservaram intactos mesmo
após décadas.
Sidnei Paula Diana, 54, dono da loja virtual
Brinquedo Raro, faz também restauração dos brinquedos que vende. "Sou
arquiteto de formação, mas trabalho com brinquedos antigos há 25 anos",
conta. Com mais de 7 mil objetos catalogados, sua loja é especializada
em carrinhos e trens elétricos.
E se a brincadeira é para
jovens e adultos, os preços não deixam por menos. "Existem brinquedos
baratos, de centavos até, mas o preço pode ser alto, sim", diz Fábio
Fernandes. O limite é variável e depende não só da época do brinquedo,
mas de sua raridade no mercado e do estado de conservação.
"Como
um antiquário, aqui não anunciamos o preço. Nem sempre o mais velho é o
mais valioso", explica Paulo Rodrigues da Costa, um dos 'vitrinistas'
da Itapetininga.
O dono da PlayToy conta que já vendeu um
Batmóvel, lançado na década de 70, por R$ 3.500, enquanto a Brinquedo
Raro oferece em sua loja virtual de objetos de R$ 20 até robôs que
chegam a R$ 3 mil.
Endereços relacionados:Galeria Itapetininga
- A galeria tem lojas especializadas em brinquedos antigos e objetos
expostos em vitrines. Rua Sete de Abril, 356. De seg. a sexta, das
11h30 às 19h30. Aos sábados, das 11h30 às 14h.
Feira Benedito Calixto
- Feira de antigüidades no bairro de Pinheiros, tem comércio de
brinquedos antigos em barracas e nas proximidades da feira, na rua.
Praça Benedito Calixto, s/n. Feira ocorre aos sábados a partir das 10h.
PlayToy -
www.playtoy.com.br